El transcurrir de los días, ese camino hacia lo desconocido que en muchas ocasiones perturba los pensamientos más inocentes en las noches de eterna soledad. La rutina de pensar siempre en las consecuencias futuras acerca de los hechos y situaciones que todavía restan por vivir. Las reacciones, imaginaciones y sucesos volátiles en nuestra mente creadora de sueños sin realidad. Todo ello vástago de los rasgos característicos del ser humano: lógica, premeditación y ensoñación.
Pero ya estoy cansada de crear pensamientos en cosas que tal vez nunca ocurrirán o no lo harán del modo que espero. Simplemente me rodearé de un aire de indiferencia ante lo desconocido y me dedicaré por completo al presente, abarcando solamente lo que deseo hacer, ignorando sobre lo que sucederá. La palabra indiferencia suele asociarse a un estado negativo y ser mal vista, pero a esta altura del partido, todo me da igual.
1 comentario:
A ler-te lembrei-me disto:
“Que o homem contemple, pois, a natureza inteira na sua plena e alta majestade; que afaste o olhar dos objectos vis que o cercam. Que olhe essa luz resplandecente, posta como lâmpada eterna para iluminar o Universo; que a Terra lhe apareça como um ponto de comparação com a vasta órbita que esse astro descreve, e que pasme ao ver que essa mesma vasta órbita não passa de um ténue traço à vista de que abraçam os astros que rolam no firmamento. Mas se a nossa vista se detém ali, que a imaginação vá mais além; pois mais depressa ela se cansará de conceber do que a natureza de produzir. Todo esse vasto mundo visível não é mais do que imperceptível ponto no amplo seio da natureza. Nenhuma ideia pode aproximar-se dele. Por mais que dilatemos as nossas concepções para lá dos espaços imagináveis, tudo o que concebemos são átomos apenas, frente à realidade das coisas. É uma esfera infinita, cujo centro está em toda a parte, e a circunferência em parte alguma. Enfim, o maior sinal sensível da omnipotência de Deus é que a nossa imaginação se perca nesse pensamento...Nunca nos detemos no tempo presente. Antecipamos o futuro que nos tarda, como para lhe apressar o curso; ou evocamos o passado que nos foge, como para o deter: tão imprudentes, que andamos errando nos tempos que não são nossos, e não pensamos no único que nos pertence; e tão vãos, que pensamos naqueles que não são nada, e deixamos escapar sem reflexão, o único que subsiste. É que o presente, em geral, fere-nos.
Escondemo-lo à nossa vista porque nos aflige; e se nos é agradável, lamentamos vê-lo fugir. Tentamos segurá-lo pelo futuro, e pensamos em dispor as coisas que não estão na nossa mão, para um tempo a que não temos garantia alguma de chegar.
Examine cada um os seus pensamentos, e há-de encontrá-los todos ocupados no passado ou no futuro.
Quase não pensamos no presente; e se pensamos, é apenas para à luz dele dispormos o futuro. Nunca o presente é o nosso fim: o passado e o presente são meios, o fim é o futuro. Assim, nunca vivemos, mas esperamos viver; e, preparando-nos sempre para ser felizes, é inevitável que nunca o sejamos.”, PASCAL, Blaise (n. 1623, m. 1662), “Pensamentos Escolhidos”, Prefácio, selecção e tradução de Esther Lemos, Editorial Verbo, 1972
:) Até.
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